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Angola

Angola

Introdução

Angola não é um destino óbvio, e é exatamente isso que a torna tão especial. É um país de contrastes brutais, onde o deserto encontra o mar, as cascatas rasgam a selva e a hospitalidade do povo nos faz sentir em casa, mesmo a milhares de quilómetros de distância. Angola é um destino pronto para surpreender para quem tiver espírito de aventura.


Duração e Flexibilidade

Uma nossa nota de transparência habitual: nós fizemos esta viagem em 10 dias. Foi uma verdadeira maratona, com muitas horas de estrada. 

Sendo muito sinceros: embora seja possível (nós somos a prova viva!), aconselhamos vivamente que reservem 15 dias para este roteiro. Com esses 5 dias extra, ganham a liberdade de ficar mais tempo nas praias de Benguela, de não correrem tanto nas estradas do interior e de aproveitarem a magia do deserto do Namibe sem pressas.


Desenho da Rota

Desenhámos este percurso como um "loop" perfeito, que equilibra o melhor de dois mundos: o interior verdejante e a costa árida. Partimos de Luanda e posteriormente seguimos para o interior, Calandula, e descemos pelo planalto central, Huambo, até ao Lubango. Depois, a viagem transforma-se: entrámos no deserto do Namibe, a partir de Serra da Leba, subimos a costa pelas praias de Benguela e terminámos a relaxar em Cabo Ledo e no Parque da Kissama.


Resumo do Itinerário

De forma muito resumida, eis o que vos espera neste itinerário:

Documentos e Vacinas (Muito Importante!)

Para Angola, vão precisar de:


  • Vistos: Para cidadãos portugueses (e vários outros países da UE), já não é necessário visto de turismo para estadias até 30 dias. Apenas precisam de um passaporte válido por mais de 6 meses.


  • Saúde: O Certificado Internacional de Vacinação (Boletim Amarelo) com a vacina da Febre Amarela é obrigatório para entrar no país. Não facilitem: eles verificam mesmo à chegada. Aconselhamos irem a uma Consulta do Viajante, pois existem outras vacinas opcionais como a febre tifóide e a profilaxia da Malária - lembrem-se que vão percorrer milhares de quilómetros pelo interior, não ficam apenas em Luanda. O uso de repelente também é essencial.


  • Seguro: Um bom seguro de viagem é essencial (nós usamos a Iati). 

O Kwanza e o Dinheiro Vivo

Esqueçam a lógica europeia. Em Angola o dinheiro vivo é fundamental. Existem várias caixas ATM por todo o país, então não precisam de levantar todo o dinheiro em Luanda. 


  • Cartões: Cartões internacionais (Visa/Mastercard/Revolut) funcionam em alguns hotéis e grandes supermercados como o Shoprite (que tem vários produtos portugueses importados, mas é significativamente mais caro que os nossos e que as mercearias normais angolanas). No entanto, na estrada e no interior, os cartões são praticamente inúteis. 



Transportes: A Regra do 4x4, O maior problema da viagem

Ao contrário de outros países, em Angola não existem comboios ou autocarros turísticos fiáveis para este tipo de roteiro.


  • Alugar Carro: Ter viatura própria é obrigatório. E não serve um carro qualquer, tem de ser um jipe ou um SUV alto. Aqui surge o maior problema da viagem: aconselhamos vivamente que aluguem um 4x4, pois as estradas não são nada do que possam imaginar, com muita terra batida e buracos astronómicos.

  • Nós alugámos um Toyota Raize, mas, honestamente, não o recomendamos. Não apanhámos chuva ou estradas lamacentas, mas sentimos que em certos pontos (especialmente entre Calandula e o Lubango) podíamos ter ficado pelo caminho sem poder continuar mais. 


  • Pode parecer, mas rranjar um 4x4 em Angola não é fácil e os preços andam à volta de 250€ por dia. Se não tivéssemos já os voos comprados, talvez tivéssemos desistido da ideia de ir. Mas encontrámos a solução: a empresa de aluguer Budget (reservem no site RentalCars para maior segurança). Aqui podem alugar carros bem mais baratos. Apesar das reviews deles negativas no Google Maps, connosco o serviço foi de excelência: deram-nos um carro novo,  enviaram-nos mensagens ao longo da viagem para saber se estava tudo bem  (nunca nos tinham feito isso) e sempre com extrema simpatia e profissionalismo. 


  • Outro detalhe importante são os vidros dos carros. Questionem por e-mail a Budget (eles respondem rápido) se o carro que vão alugar tem vidros escurecidos. Pode parecer um detalhe fútil, mas acreditem que isto muda toda a vossa experiência. Angola ainda não está habituada ao turismo, então todos os que viajam pelo país fazem-no em grande SUV's escurecidos ou em grandes grupos. Ao andarem com um carro "normal" vão dar imenso nas vistas. Com isto não queremos dizer que vão ser roubados, mas queiram evitar ser constantemente rodeados (especialmente por crianças) a pedir dinheiro. Claro que podem ir ajudando mas durante a viagem vão começar a ficar bastante fartos disso.


  • Condução e Polícia: Conduzir em Angola é uma aventura. Tenham especial atenção aos "candongueiros" (os táxis azuis e brancos) que param em qualquer lugar sem aviso. Podem encontrar algumas operações STOP da polícia, mas aí mantenham a calma, sejam simpáticos e tenham os documentos todos em ordem e o triângulo e colete no carro. Connosco foram bastante profissionais: só nos pediram uma vez uma garrafa de água, nunca dinheiro. Por último, aconselhamos a nunca conduzir à noite. As estradas são perigosas por si só e há muitos locais a caminhar à noite sem luz, para além de motas e outros veículos não iluminados. É um stress que não querem ter. 


  • GPS: Podem confiar nos tempos e nas rotas do Google Maps, normalmente não falha. Acrescentem apenas uma margem extra para as paragens de descanso.


Internet e Comunicação

O roaming europeu aqui é caríssimo.


  • SIM Card Local: Mal cheguem, comprem um cartão da Unitel . A cobertura é surpreendentemente boa em praticamente todo o país, falhando só em poucas regiões mais remotas. Evitem outras operadoras como a Africell quesó tem uma boa cobertura em Luanda e mais umas cidades maiores.


Quando Ir: O Cacimbo

Angola é um país tropical, mas tem duas estações bem definidas.


  • A Nossa Recomendação (O "Cacimbo"): De Maio a Setembro. É o "inverno" angolano. Não chove, o céu está azul e as temperaturas são super agradáveis (20ºC-28ºC), ficando mais fresco à noite no sul (Lubango/Namibe). É a altura ideal para viajar de carro sem apanhar estradas de lama.


  • O Verão (Outubro a Abril): É muito quente e chove imenso. As estradas de terra podem tornar-se intransitáveis e o calor no deserto torna-se sufocante.



Hotéis

Mais uma vez,  Angola não está preparada para o turismo. Podem tentar no Booking, por exemplo, mas dificilmente vão encontrar alguma coisa: vão ter de reservar praticamente tudo por Whatsapp. A melhor estratégia é usar o Google Maps. Procurem por "hotéis" na zona que querem (existem poucos) e se tiverem contacto telefónico, mandem mensagem a pedir preços e disponibilidade para as vossas datas (quase todos têm pequeno-almoço incluído). Vejam as avaliações do Google Maps antes de reservar e se não tiver número na página ignorem esse hotel... Vamos deixar sempre os locais onde ficámos (tivemos uma boa experiência em todos) para vos orientar. 


Alimentação

Não se preocupem, não vão passar fome! Existem vários restaurantes bons, com peixe grelhado e bitoques por todo o país, caso não sejam fâs da gastronomia local. Vamos deixar também algumas sugestões de locais onde fomos para vos ajudar.


Nas viagens pelo interior os sítios para almoçar são escassos, então aconselhamos que levem comida para a viagem e apenas jantem depois. 


Roteiro de 15 dias em Angola


1. Luanda: O Primeiro Impacto (2 dias)


Luanda é a porta de entrada no país. Preparem-se para o primeiro choque térmico (onde a humidade se cola à pele) e cultural; vão logo poder observar o quão caótico é trânsito.


Nós usámos Luanda principalmente como ponto de partida e chegada, mas a cidade merece mesmo ser explorada. Tivemos um problema com o alojamento que tínhamos reservado logo ao chegar ao aeroporto, mas isso acabou por nos levar a descobrir a cidade da melhor forma, com a ajuda dos locais. 


Se vão aterrar aqui e planeiam dedicar uns dias à capital, à Ilha do Mussulo ou à história da Marginal, vejam o guia específico que preparámos para vos ajudar a navegar na confusão e para vos contar toda a nossa experiência: Roteiro de 2 dias em Luanda.

Aeroporto Luanda

Baía de Luanda

Ilha de Luanda

2. Calandula: As cascatas fabulosas (2 dias)

Deixamos o caos de Luanda para trás e rumamos ao interior. O destino são as Quedas de Calandula, as segundas maiores de África (apenas atrás das Victoria Falls). A imponência desta paisagem é algo que nenhuma foto consegue captar com justiça.


A Nossa Lição (O que faríamos diferente): Nós fizemos tudo a correr: chegámos, vimos a cascata na manhã seguinte e arrancámos logo para uma viagem duríssima até à Cela, chegando lá já de noite. Foi exaustivo. O nosso conselho para vocês: Calma. Fiquem duas noites em Calandula. Cheguem no Dia 3 para dormir e dediquem o Dia 4 inteiro a explorar as cascatas de cima a baixo, descansando bem antes de voltarem à estrada.


Dia 3: A Viagem (Luanda -> Calandula)

Distância: Aprox. 360km (5 a 6 horas)


A estrada faz-se bem (no contexto angolano), passando por N'dalatando. A paisagem muda drasticamente, ficando cada vez mais verde.


  • O Objetivo: Chegar a Calandula ao fim do dia, fazer o check-in e jantar tranquilamente. Não tentem ver as cascatas já nesse dia; guardem a surpresa para o dia seguinte. A única exceção é se chegarem a meio da tarde: nesse caso, vão lá apenas tirar uma foto de cima para matar a curiosidade.

Estradas de Malanje

Estradas de Malanje

Quedas de Calandula

Dia 4: Mergulho nas Cascatas e os Guias Locais

Este é o dia de explorar. As quedas têm uma força brutal e vê-las do miradouro é bonito, mas descer à base é a verdadeira experiência.


Os Guias Locais (Essencial): Assim que chegarem ao miradouro, vão encontrar um grupo de jovens locais que se oferecem como guias. Como já tinhamos ido à cascata no dia anterior, antes do pôr do sol, conhecemos logo os guias locais e marcámos com eles o "tour" para o dia seguinte. À hora combinada, já estavam à nossa espera no alojamento e foram de mota à nossa frente - foi uma esperiência icónica.


  • Não recusem: Negoceiem um valor justo com eles e aceitem a ajuda. Sem eles, não aconselhamos fazer os trilhos pelo mato para descer até à base da cascata. É perigoso e é fácil de escorregar.


  • A Experiência: Eles são super simpáticos, conhecem cada pedra e levam-vos em segurança até lá baixo (levem roupa e calçado a contar que se vão sujar e molhar) e às piscinas naturais na parte de cima.



Depois de uma manhã de "sobe e desce" e banhos nas piscinas naturais, aproveitem a tarde para relaxar na vila.

Estradas de Malanje

Quedas de Calandula

Quedas de Calandula


Onde Dormir: A Dica Local vs. A Turística

Em Calandula, existem duas opções principais e nós temos uma favorita clara.


  1. Aldeamento Turístico Lwenze (A Nossa Escolha): Fica no meio da vila. É muito mais barato, os quartos são bons e o atendimento foi espetacular e familiar. Permite viver uma experiência mais autêntica e próxima da comunidade. Recomendamos a 100%.


  2. Pousada Calandula: Fica do outro lado do rio, com vista direta para as quedas. É o hotel "famoso" com a piscina com vista para as cascatas, mas é muito mais caro. Se procuram luxo e a vista, é aqui. Se quiserem poupar e sentir a terra, o Lwenze é o sítio certo.


Preparação para o dia seguinte: Jantem cedo e descansem. A viagem de amanhã para o centro do país é longa e exigente.

3. Cela: A paragem técnica (1 dia)


Dia 5: Pungo Andongo e a longa viagem

Rota: Calandula -> Pungo Andongo -> Alto Dondo -> Cela (Waku Kungo)


Saiam cedo de Calandula porque, apesar de no mapa a distância não parecer gigante, as condições na realidade são diferentes.


1. Pedras Negras de Pungo Andongo: A cerca de 2 horas de Calandula, a paisagem transforma-se. De repente, surgem no horizonte umas rochas negras gigantescas no meio da savana. Passem na vila e peçam ajuda aos locais caso queiram subir as pedras para ter a melhor vista. 



2. A Paragem Técnica: Cela (Waku Kungo): O objetivo final desta etapa é chegar ao Huambo, mas tentar fazer Calandula -> Huambo num dia, com estas estradas, é loucura e perigoso (não convém conduzir à noite). Por isso, decidimos fazer uma paragem técnica na Cela para dormir. É uma zona calma.


Onde Dormir: Para recuperar do desgaste desta etapa, recomendamos o Emirais Hotel Spa. Foi uma surpresa muito agradável. É um hotel moderno, confortável e com ótimas condições (algo que nem sempre se encontra no interior).

Pedras Negras, Angola

Estradas de Angola

Cela, Angola

4. Huambo: a Nova Lisboa (1 dia)


Dia 6: O Planalto Verde 

Rota: Cela (Waku Kungo) -> Huambo


Depois do "rally" de ontem, a boa notícia: a viagem de hoje é muito mais tranquila e, acima de tudo, linda. Estamos a entrar no coração do Planalto Central de Angola e a estrada é um autêntico postal.


1. A Estrada Cénica (Monte Luvili e Águas Quentes): O trajeto entre a Cela e o Huambo é daqueles que dá gosto conduzir.


  • O Gigante de Pedra: Pelo caminho, mantenham os olhos abertos para o Monte Luvili. É montem isolado que domina a paisagem. 


  • Águas Quentes: Ficam logo ao lado do Monte Luvili. É um sítio onde a água natural corre numa temperatura muito alta e onde os locais aproveitam para lavar a roupa,. Vale a pena parar para observar o vapor a sair do chão. 


2. Chegada ao Huambo (A Antiga "Nova Lisboa"):

Chegámos ao Huambo a horas decentes.


Sinceridade Turística: É uma cidade que não tem quase nada para ver.


  • O que fazer: Dêem uma volta de carro pelas avenidas largas, mas não percam muito tempo. O objetivo aqui é descansar a sério.


3. Onde Dormir (E Porquê): A nossa recomendação vai direta para o Hotel Nino.


  • É confortável, seguro e tem condições ótimas para recuperar energias. E acreditem: vão precisar delas.


Alerta para o dia seguinte: Aproveitem bem a cama do Hotel Nino. A estrada de amanhã (Huambo -> Lubango) já não tem este "tapete" de asfalto. As condições pioram drasticamente e a viagem vai ser cansativa. Durmam bem!

Huambo

Cela, Angola

Monte Luvili

5. Lubango: A Montanha, a Fenda e a Tribo (1 dia)

Ao chegar ao Lubango, a paisagem passa a ser dominada por serras imponentes. É, para muitos, a cidade mais bonita de Angola epercebe-se rapidamente porquê.


Dia 7: A Travessia para o Sul (Huambo -> Lubango)

Como vos avisámos: hoje é dia de estrada e paciência. A viagem desde o Huambo é longa e o asfalto já não tem a qualidade da etapa anterior. Vão encontrar buracos e zonas mais desgastadas. O objetivo deste dia é apenas um: chegar ao Lubango em segurança e fazer o check-in.


Onde Dormir no Lubango: A oferta aqui é grande, mas temos uma recomendação especial e uma alternativa de luxo.


  1. Hospedaria L.C Sanjuquila (A Nossa Escolha): Foi uma surpresa fantástica. É um espaço moderno, super tranquilo e, o melhor de tudo, bastante barato para a qualidade que oferece. Se querem poupar sem abdicar do conforto, é aqui.


  2. Casper Lodge e Pululukwa (As Opções Requintadas): Se o orçamento for mais folgado e quiserem um alojamento de topo, com um ambiente mais sofisticado, estas são as referências na cidade.

Lubango

Estradas de Angola

Lubango

Dia 8 (Manhã): O Abismo e a Cultura

Antes de descermos para o deserto do Namibe, dedicámos a manhã a explorar os melhores pontos da Huíla.


1. A Fenda da Tundavala (Imperdível): É, talvez, a vista mais impressionante de Angola. A Fenda da Tundavala é um corte abrupto na montanha com um desnível enorme até à planície. A sensação de estar à beira daquele abismo é esmagadora e, ao mesmo tempo, libertadora.


2. Encontro com as Tribos: Nesta zona (especialmente perto da Tundavala), é muito comum encontrarem mulheres da tribo Mwila (ou Mumuíla), conhecidas pelos seus colares coloridos e penteados tradicionais cobertos de oncula (uma pasta vermelha de pedra vulcânica). É um choque cultural fascinante. Sejam sempre respeitosos se quiserem tirar fotos (peçam autorização, muitas vezes pedem uma pequena contribuição em troca).


3. Cristo Rei: Antes de saírem da cidade, subam ao Cristo Rei. A estátua oferece a melhor vista panorâmica sobre o vale do Lubango.

Fenda da Tundavala

Fenda da Tundavala

6. Namibe: Onde o Deserto Encontra o Mar (2 dias)

Saímos das montanhas do Lubango e, em poucas horas, estamos no calor árido do deserto. A viagem faz-se pela lendária Serra da Leba. Descer aquela estrada em ziguezague é um dos momentos mais icónicos da condução em Angola. 


Uma vez cá em baixo, têm uma decisão importante a tomar sobre como querem viver estes 2 dias:


Opção A: A Expedição (Iona e Tigres) Se tiverem espírito de aventura (e orçamento), podem contratar uma excursão organizada para entrar pelo Parque do Iona e ir até à Baía dos Tigres. 



Opção B: A Rota Costeira (A Nossa Escolha) Nós optámos por explorar a zona ao nosso ritmo, focados nas praias desertas e na paisagem mais acessível. Aqui fica o nosso roteiro de 2 noites (Dias 8 e 9):


Dia 8 (Tarde): A Chegada à Cidade 

Depois de descer a serra, chegámos à cidade de Moçâmedes (Namibe).


  • O que ver: A cidade tem uma arquitetura fascinante. Passem pelo Cine Estúdio Namibe (um cinema antigo lindíssimo) e caminhem pela Marginal, onde o mar é surpreendemente calmo.


  • Jantar Imperdível: A nossa recomendação absoluta é o restaurante O Náutico. É gerido por portugueses, o ambiente é excelente e o peixe grelhado é, sem exagero, fabuloso. É o sítio ideal para estar à noite e fechar o dia.

Serra da Leba, Angola

Namibe, Angola

Namibe, Angola

Dia 9: A Melhor Praia e as Plantas Imortais


  • Manhã: Baía das Pipas Para nós, a melhor praia da região.



    • A Experiência: A água é limpa e clara;  quando fomos, tínhamos a praia só para nós. É o paraíso para quem gosta de sossego.


  • Tarde: Rumo a Tômbwa (O Deserto) Depois da praia, conduzimos para Sul em direção a Tômbua.

    • A estrada atravessa a paisagem árida e, embora nesta zona ainda não vejam as dunas gigantes do Namibe, já sentem a imensidão do deserto.


    • Welwitschia Mirabilis: Parem para ver esta planta única no mundo, que só existe aqui e vive mais de mil anos. Vê-las ao vivo, no meio do nada, é impressionante.


Onde Dormir: Conforto no Deserto

Nós ficámos num alojamento local (casa particular) que encontrámos no Booking, mas sendo honestos, se voltássemos hoje, preferíamos ter ficado num hotel com localização central e mais serviços. As nossas recomendações para vocês são:


  1. Hotel Chik Chik Namibe: A referência de qualidade na cidade.


  2. OÁSIS Residencial Namibe: Uma opção sólida, confortável e bem localizada.

Baía das Pipas, Namibe

Namibe, Angola

Baía das Pipas, Namibe

7. Benguela: O Charme Costeiro (2 dias)

Deixamos o deserto para trás e apontamos o GPS para Norte, rumo a Benguela, famosa pelas suas praias icónicas e vida cultural vibrante.


Dia 10: A Grande Decisão (Interior vs. Costa)

Este é um dia crítico no planeamento da viagem. Para ir do Namibe para Benguela, têm duas opções muito diferentes. A escolha depende totalmente do vosso carro, da vossa experiência e da meteorologia.


Opção A: A Aventura pela Costa (Via Lucira) É a rota mais deslumbrante, sempre junto ao mar, mas bastante mais remota.


  • O Perigo: Existe uma travessia de rio (sem ponte) que pode ser traiçoeira. Se estiver na época das chuvas ou se o caudal estiver alto, podem ficar retidos.


  • Requisitos: Obrigatório jipe 4x4 e experiência em condução "off-road".


  • Onde Parar: Se escolherem este caminho, vale muito a pena pernoitar no Hotel Praia do Soba. Dizem ser um local espetacular no meio das falésias.


Opção B: A Rota Segura (Via Interior - A Nossa Escolha) Nós jogámos pelo seguro. Antes de partir, perguntámos aos locais no Namibe como estava a passagem do rio e aconselharam-nos a não arriscar.


  • O que fizemos: Voltámos a subir a Serra da Leba, passámos pelo Lubango e seguimos pela estrada do interior até Benguela. É uma volta maior, mas a estrada é alcatroada e garantem que chegam ao destino sem ficarem atolados na lama.

Estradas de Angola

Benguela

Benguela

Dia 11: Praias, Mergulho e Mercados

Já instalados em Benguela, dedicámos um dia a explorar a costa e a cidade. Podem ficar dois dias se quiserem aproveitarem com calma. O ambiente aqui é vibrante e muito acolhedor.


As Praias e o Mar:

  • Baía Farta e Praia da Caotinha: Apanhem o carro e sigam até à Baía Farta. Lá perto fica a Praia da Caotinha, uma enseada pequena com águas cristalinas, protegida por falésias. É simplesmente lindíssima.


  • Mergulho: Se gostam de atividades subaquáticas, procurem o Ombissi Diving Center. O mar de Benguela é rico em vida e é uma ótima oportunidade para uma experiência diferente.


  • Praia Morena: É a praia da cidade. Ótima para uma caminhada ao fim da tarde e ver o movimento dos locais.


A Cidade:

  • Mercado Municipal: Visitem a zona da fruta e hortaliça. É um festival de cores e o sítio ideal para comprar fruta fresca para a viagem.


  • Sé Catedral: Um marco da arquitetura local que merece uma visita.


Onde Dormir em Benguela

Temos a nossa recomendação e uma alternativa de luxo.


  1. Hotel Residencial RAMIRE-TOUR (A Nossa Escolha): Adorámos ficar aqui. Fica mesmo em cima do mar (literalmente), o que torna os pequenos-almoços com o som das ondas uma experiência mágica. O ambiente é muito familiar e o acolhimento fez-nos sentir em casa.


  2. Hotel Duas Faces: Se procuram algo mais moderno, refinado e com um serviço mais executivo, esta é considerada uma das melhores opções da cidade.

Benguela

Baía Azul Benguela

Praia da Caotinha, Benguela

8. Cabo Ledo e Kissama: O Grande Final (3 dias)

Para os últimos dias, o plano é abrandar o ritmo, apanhar ondas e ver animais selvagens. Cabo Ledo é o refúgio de fim de semana de quem vive em Luanda, famoso pelas suas praias de surf e resorts relaxantes.


Dia 12: A Restinga do Lobito e Rumo a Norte

Rota: Benguela -> Lobito -> Cabo Ledo


Saímos de Benguela e, logo ali ao lado (aprox. 30km), fazemos a paragem obrigatória no Lobito.

  • A Restinga: Uma língua de areia com quilómetros que entra pelo mar adentro, repleta de edifícios antigos e praias. É o sítio ideal para esticar as pernas e tirar umas fotos antes da viagem longa.


  • A Viagem: Daqui até Cabo Ledo são umas boas horas de estrada, por isso saiam de manhã. O objetivo é chegar ao hotel em Cabo Ledo a tempo de ver o pôr do sol.

Restinga, Lobito

Estradas de Angola

Cabo Ledo

Dia 13: Praia, apenas praia

Depois de quase duas semanas na estrada (e muitos buracos pelo meio), este dia vai saber-vos a glória.


  • O Plano: Não fazer nada. Cabo Ledo tem vários resorts com acesso direto à praia. Nós ficámos no Doce Mar e recomendamos imenso: é uma espécie de vila grande com piscina e praia privadas, tem um pequeno-almoço excelente e o restaurante também é bom, não precisam de sair do hotel para nada. Aproveitem a praia do hotel, a água quente e o peixe fresco.

Cabo Ledo

Cabo Ledo

Cabo Ledo

Dia 14: Safari, Macacos e Rio

Rota: Bate-volta ao Parque da Kissama e Barra do Cuanza

Hoje é dia de aventura. O Parque Nacional da Kissama fica perto de Cabo Ledo e é o safari mais acessível do país.


1. Como fazer o Safari (Passo a Passo): Não precisam de reservar com antecedência.

  • Chegada: Dirijam-se à entrada principal do parque (fica mesmo à beira da estrada principal). Dizem que querem fazer o safari e pagam a taxa de entrada (valor simbólico).


  • O Trajeto Interno: Entram com o vosso próprio carro e conduzem cerca de 30 minutos até ao centro turístico/lodge. Nota: A estrada é de terra, por isso o 4x4 aqui é ideal e mais que recomendado.


  • O Camião Militar: Ao chegarem ao lodge, um camião militar antigo gigante vai estar à vossa espera. É nele que fazem o safari com os guias.


  • Preço: É bastante acessível. Na altura pagámos cerca de 50€ pelo aluguer do camião (a dividir pelo grupo), mais uns 5€ por pessoa de taxa do parque e a taxa de veículo. Vão ver zebras, gnus e elefantes (com sorte). Sempre por caminhos mal trilhados e por vezes improvisados, é uma experiência diferente dos parques de safari mais massificados (mas mais autêntica). 


2. Barra do Cuanza e os Macacos: Sigam para a ponte sobre o Rio Cuanza.

  • Alerta Macacos: Nesta zona, os macacos vêm para a estrada pedir comida. É engraçado e é normal que queiram sair para ver de perto, mas tenham muito cuidado: eles são rápidos e podem roubar o que tiverem nas mãos, especialmente telemóveis. Mantenham os vidros apenas semiabertos.


  • O Rio: Aproveitem para fazer um passeio de barco no rio Cuanza (barra do Cuanza) antes de regressar ao hotel para a última noite.


3. Praia do Sangano: No regresso, passem pela Praia do Sangano. É uma baía paradisíaca, ideal para um mergulho rápido.

Parque Nacional da Kissama

Parque Nacional da Kissama

Parque Nacional da Kissama

Barra do Cuaza, Angola

Barra do Cuaza, Angola

Praia de Sangano, Angola

Dia 15: O Adeus com Vista Lunar

Rota: Cabo Ledo -> Miradouro da Lua -> Luanda (Aeroporto)


No caminho final para Luanda, há uma última paragem que fecha o roteiro com chave de ouro: o Miradouro da Lua. É uma falésia bicolor (branca e vermelha) esculpida pela erosão que parece mesmo de outro planeta. É a foto de despedida perfeita antes de entregarem o carro e apanharem o voo de regresso, cansados mas de coração cheio.

Parque Nacional da Kissama

Miradouro da Lua, Angola

Aeroporto de Luanda

Quanto gastámos


Estes foram os valores que gastámos por pessoa para 11 dias em Fevereiro (Época Baixa). 



  • Voos: 450€ (Fizemos uma escala em Frankfurt).


  • Alojamento (11 Noites): 260€ (Ficámos em alojamentos com boa relação qualidade/preço e pequeno-almoço incluído).


  • Aluguer de Carro: 225€ (Este valor depende muito do carro escolhido e se dividem a conta por todos os ocupantes. No total pagámos 915€, dividimos por 4 para terem um valor médio).


  • Atividades: ~30€ (Pagámos 20€ pelo Safari no Kissama. O resto, como nas Quedas de Calandula, são valores negociados com os "guias" locais na hora).


Total (base): ~965€ por pessoa (Para 11 dias em África, é um valor imbatível).


Para além destes valores fixos, têm de contar com os gastos variáveis:

  • Combustível: A gasolina em Angola é barata, mas as distâncias são enormes.


  • Comida e Bebida: Para terem uma referência, nós gastámos cerca de 20€ a 25€ por pessoa, por dia.


  • Outros: Internet, Seguro de Viagem e, caso precisem, Vacinas e Passaporte.


  • Ajudas: Contem ainda com um pequeno valor em notas para dar aos locais (crianças, pessoas que vos ajudem, etc).

Mapa dos 15 dias em Angola


Para vizualizarem os pontos do mapa, e como está estruturado, carreguem no ícone do canto superior esquerdo do mapa.


Esperamos que tenham gostado!